Search
Close this search box.

POLÍTICA

Candidatos à Prefeitura de São Paulo protagonizam debate moderado antes das eleições de domingo

TV Globo promoveu debate nesta quinta-feira, 3 de outubro: temas finalmente foram à mesa da discussão. Foto: Divulgação: TV Globo

Nesta quinta-feira, 3 de outubro, o último debate antes das eleições do primeiro turno entre os candidatos à prefeitura de São Paulo, realizado pela teve um tom mais moderado e com discussão de propostas variadas como saúde, impostos, população de rua, segurança pública, criação de empregos, mobilidade e educação. Vale destacar que nenhum candidato foi advertido, bem como nenhum direito de resposta foi concedido. Ou seja, um cenário bastante diferente dos debates anteriores, onde ocorreram ofensas e agressões físicas. Participaram do debate os cinco candidatos mais bem colocados nas pesquisas de intenção de voto: Guilherme Boulos (PSOL), Ricardo Nunes (MDB), Pablo Marçal (PRTB), Tabata Amaral (PSB) e José Luiz Datena (PSDB).

Confira como foi o debate de acordo com cada bloco:

Primeiro Bloco

Cobrança de impostos: Nunes abriu o debate questionando Datena sobre a cobrança de impostos na cidade, defendendo uma economia liberal. O atual prefeito disse, ainda, que não criou “nenhuma taxa” durante o seu mandato como prefeito e atraiu 57 mil empresas. Datena alegou que o prefeito fez pouco pela cidade na discussão sobre a reforma tributária, o que acabou penalizando a população. No entanto, em vez de endurecer o discurso na tréplica, preferiu abordar a proposta de criar um “território de emprego”, oferecendo benefícios fiscais para empresas se instalarem na periferia e contratarem mão de obra local.

População de rua: Em seguida, Tabata escolheu Nunes para perguntar se o prefeito está “satisfeito” com indicadores da cidade sob sua gestão, como o aumento no número de pessoas em situação de rua, a queda no ranking da alfabetização e o tamanho das filas para exames e consultas nas unidades de saúde. Nunes respondeu dizendo que “trabalha duro”, destacando sua “parceria” com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e alfinetou a deputada federal, afirmando que a parlamentar não apoiou um projeto que sugeria o aumento da pena para criminosos no Congresso.

Saúde: Neste tema, Tabata e Boulos criticaram Nunes na área da saúde. A dupla listou propostas para resolver o problema da fila de exames, enquanto Boulos listou bairros em que pretende construir o chamado Poupatempo da Saúde e prometeu dezesseis unidades do equipamento em bairros da Zona Sul, Norte e Oeste da cidade. Já Tabata afirmou que sua gestão terá um monitoramento da fila dos exames e defendeu mais atenção à saúde mental.

Criminalidade: Marçal só falou na quarta pergunta do primeiro bloco, com pergunta obrigatória de Datena ao candidato para todos responderem. O tucano abordou o tema do roubo de celulares em São Paulo, dizendo que este parece um “crime menor”, mas pode resultar em fatalidades. O empresário acenou ao público religioso dizendo já ter ouvido a “Bíblia inteira pela voz do Cid Moreira”. Ele adotou tom moderado, disse que subiria um vídeo com proposta para a segurança nas redes sociais e prometeu usar a tecnologia para atacar a criminalidade, assim como gerar empregos e ampliar a Operação Delegada.

Empregos: Último a perguntar no primeiro bloco, Marçal foi obrigado a se dirigir ao único candidato que ainda não havia sido questionado, Boulos. O ex-coach disse que São Paulo tem a oportunidade de eleger um “empreendedor raiz” e perguntou ao adversário sua proposta para incentivar a abertura de empresas. Boulos afirmou que vai estimular a criação de empregos na periferia ao reduzir o Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU) de empresas que oferecerem vagas nos bairros menos favorecidos. Afirmou também que é diferente de outros políticos que “só aparecem de quatro em quatro anos fingindo que se importam”. Marçal se declarou como o “único que não deve favor a ninguém”, e disse acreditar numa vitória no primeiro turno. Na réplica, Boulos atacou tanto o candidato do PRTB quanto o atual prefeito. “Olhe no olho do Nunes. Você vê verdade? Olhe no olho do Marçal, você vê alguma coisa que não seja vaidade?”

Segundo Bloco

Mobilidade: Tabata questionou as propostas de Marçal para a mobilidade. Citando o tempo de trajeto médio gasto pela população no transporte público na cidade que, segundo a candidata, passa de duas horas, a deputada perguntou quais eram as “propostas concretas” de Marçal para a mobilidade, criticando uma das bandeiras do empresário, os teleféricos. Ele respondeu que pretende fazer terminais e corredores de ônibus prometidos pelo ex-prefeito Bruno Covas e também defendeu ampliar uma das bandeiras de Nunes, as faixas azul para motociclistas, e defendeu a medida criticada por Tabata.

Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU): Datena questionou Boulos sobre o tema, retomando a proposta do território de emprego citada no primeiro bloco e questionando o candidato se pretende aumentar imposto na cidade. Boulos prometeu não aumentar a carga tributária e declarou que não falta dinheiro para a prefeitura. Na sequência, os candidatos miraram em públicos diferentes. Boulos prometeu melhorar a mobilidade nos bairros do Grajaú e M’Boi Mirim, ambos na Zona Sul, onde disputa votos com Nunes. Já Datena preferiu abordar os problemas do centro, como a cracolândia e os prédios abandonados.

Moradia: Nunes perguntou à Tabata sobre o tema, que exaltou o programa Pode Entrar de sua gestão e prometeu entregar até o fim do ano 72 mil unidades habitacionais. A candidata disse apoiar o programa, segundo ela proposto na gestão de Bruno Covas por Orlando Faria, atual coordenador de sua campanha, e destacou a proposta de criar uma plataforma em que a prefeitura atua como fiadora no processo de aluguel social. Na réplica, o prefeito aproveitou o tempo para responder a críticas feitas anteriormente por outros adversários, e disse que algumas das propostas apresentadas pelos demais já estão sendo executadas em sua gestão. No entanto, Tabata disse que Nunes tenta exibir uma cidade “cor-de-rosa”, e afirmou que ele espalhou a cracolândia pela capital paulista. “Vários prefeitos tentaram enfrentar a cracolândia. Não conseguiram. Mas o Nunes foi além: ele recebeu uma cracolândia, está entregando 72”, afirmou.

Educação: Marçal, na hora de escolher entre Datena e Nunes, os dois que ainda não tinham respondido no bloco, elegeu o atual prefeito, tecendo críticas na área da educação e citando estatísticas sobre o nível de alfabetização de crianças na cidade e o desempenho da capital no Ideb, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica. Nunes respondeu defendendo que universalizou as vagas de creche na cidade, a distribuição de tablets e o aumento no piso dos professores, vitrines da gestão na área da educação. Marçal respondeu afirmando que pretende implementar educação financeira, ensinar empreendedorismo e “transformar a escola municipal em uma escola olímpica”.

Cultura e Lazer: Boulos e Datena debateram o tema no final do bloco: enquanto o primeiro prometeu elevar o orçamento da pasta de Cultura para 3%, colocar um psicólogo em cada escola da rede pública municipal e ampliar a oferta de ensino integral com aulas de música, teatro e esporte no contraturno.O segundo defendeu a descentralização de equipamentos públicos como bibliotecas e o estímulo a polos audiovisuais e startups na periferia.

Terceiro Bloco

Tabata abriu o terceiro bloco escolhendo Boulos, com quem disputa espaço junto aos eleitores que rejeitam Marçal e Nunes. A deputada comentou as supostas “mudanças de posicionamento” de seu adversário, dizendo existir um “Boulos dos marqueteiros” e um “Boulos do PSOL”. O psolista disse “lamentar” o questionamento, e negou que tenha sido incoerente durante a campanha: “Eu tenho coerência com a minha história. Pra mim, política não é vale-tudo, não é atacar a qualquer custo.”

Tabata fez um apelo para que os eleitores se recordem das cenas de agressividade dos encontros anteriores. Afirmou ser uma candidata que não muda de ideias “por pressão nem por cancelamento” e disse ser preciso unir boas propostas da esquerda e da direita. Boulos respondeu que quem quer governar “tem que ter capacidade de diálogo”, e afirmou que será capaz de falar com o presidente Lula (PT), seu apoiador, e que também chamará o governador Tarcísio, que apoia Nunes.

Na sua vez, Datena direcionou a pergunta a Nunes citando as críticas feitas anteriormente por Boulos sobre as concessões dos cemitérios de São Paulo. O prefeito, por sua vez, voltou a defender que fez um “governo liberal”, alegação reforçada em diversas respostas, e enfileirou outras concessões da gestão, como a do Parque do Ibirapuera e do Anhembi.

Nunes e Tabata tiveram um embate sobre mudanças climáticas, em que a candidata reclamou das ações da prefeitura para evitar enchentes e disse que a atual gestão falha em “coisas óbvias”. O prefeito disse ter “orgulho” das ações adotadas e que sua gestão encara com seriedade o tema, tendo criado uma Secretaria de Mudanças Climáticas.

Pesquisa mostra empate técnico entre candidatos

A pesquisa do Datafolha divulgada nesta quinta-feira mostra um empate técnico entre Boulos, Nunes e Marçal nos votos válidos — que desconsideram brancos, nulos e indecisos, como faz a Justiça Eleitoral na apuração oficial dos resultados. O psolista atinge 29% das intenções por esse cálculo, contra 26% do atual prefeito e 26% do ex-coach. A margem de erro é estimada em dois pontos percentuais para mais ou menos.

Na pesquisa estimulada, Boulos oscilou de 25% para 26%. Nunes variou três pontos para baixo em uma semana, de 27% para 24%. E Marçal avançou três pontos para cima, passando de 21% para os mesmos 24% de Nunes. No levantamento divulgado pela Quaest na segunda-feira, os três também apareciam em situação de empate técnico. A pesquisa estimulada mostra uma variação positiva nas intenções de voto de Tabata, que agora encabeça sozinha o segundo pelotão, com 11% (eram 9% há uma semana). Datena variou de 6% para 4%, enquanto Marina Helena (Novo) tem 2%. Brancos e nulos somam 6% dos eleitores de São Paulo, e outros 3% dizem ainda não saber quem apoiarão.