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Economia

Ipea mostra impacto de lei antidesmatamento da UE na exportação de carne e soja nacionais

Criação de gado / Imagem meramente ilustrativa - Wikimedia
Criação de gado / Imagem meramente ilustrativa - Wikimedia

 Produtos provenientes de lugares desmatados têm percentuais baixos na balança de exportação, mas são ambientalmente insustentáveis ao longo do tempo

Prevista para entrar em vigor em 1º de janeiro de 2025, a lei antidesmatamento da União Europeia tem atemorizado o governo e exportadores brasileiros. A norma autoriza a European Union Deforestation Act (EUDR) a impedir a entrada de produtos importados com origem em áreas desmatadas a partir de 2020.

Segundo O Globo, o cenário não é tão assustador quanto parece, pelo menos, foi o que mostrou o cruzamento de dados sobre o uso da terra e exportações por bioma, dos principais produtos de exportação nacional – carne e soja -, feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Pelo levantamento, o percentual de exportação com risco de vinculação ao desmatamento é baixo. A soja produzida em áreas críticas da Amazônia representa 7% do total exportado pela região. No Cerrado, tal percentual seria de apenas 3%. Quanto à carne, os percentuais variam entre 0,4% (Cerrado), 1,3% (Amazônia) e 3,2% (Pantanal).

O técnico de planejamento e pesquisa do Ipea e um dos autores do estudo, Marcelo José Braga Nonnemberg, destacou que, apesar dos baixos percentuais, o Brasil precisa tornar o modelo de produção do agronegócio mais sustentável.

“O fato é que o Brasil está fazendo essa análise de um ponto de vista equivocado, querendo flexibilizar a lei, quando deveria por conta própria adotar medidas que reduzissem essas práticas agrícolas ligadas ao desmatamento porque isso é ruim para o país. O nível dos rios, as chuvas, o aquecimento que provocam os desmatamentos. Se alguém tem dúvida, basta olhar para a tragédia gaúcha, as secas nos rios do Amazonas ou as queimadas do Pantanal. Não se trata de uma visão de economista, apenas, de uma necessidade de modernizar os meios de produção”, disse Marcelo José ao veículo.

O técnico ressaltou que atividades, como a pecuária, devem ser revistas, pois quase 60% da carne proveniente da Amazônia tem origem em área desmatada.

“A área crítica não é pequena. Para a criação de bovinos, na Amazônia, por exemplo, quase 60% da carne proveniente da região é de área desmatada. No Pantanal, 34%. No entanto, quando a gente verifica o percentual que é exportado para a União Europeia, esse percentual é muito menos significante. Se a mesma política fosse adotada pela China, seria muito mais crítico. Pelo nosso estudo, impacto da lei europeia sobre as exportações brasileiras de soja e carne bovina será pequeno”, finalizou o pesquisador.

Patricia Lima